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A Toscana fixou por lei onde o Chianti podia nascer e defendeu o nome com um galo preto no gargalo. A garrafa sai por R$ 129 e nasceu pra comida de tomate.
Em 1924, trinta e três produtores toscanos se reuniram em Radda in Chianti e fundaram um consórcio pra defender o nome da região de quem vendia Chianti sem nunca ter pisado nela. O símbolo escolhido foi um galo preto em fundo dourado, e ele continua no gargalo da garrafa cem anos depois.
O galo vem de uma história de fronteira. Florença e Siena disputavam o território do meio e combinaram resolver a briga por uma corrida: cada cidade largaria um cavaleiro ao primeiro canto do galo. Os florentinos escolheram um galo preto e o deixaram sem comer, ele cantou antes do amanhecer, e a fronteira parou quase em cima de Siena.
A delimitação legal veio dois séculos antes. Em 1716, Cosimo III de Médici assinou um edital fixando as fronteiras do Chianti e de mais três áreas toscanas, um dos primeiros documentos do mundo a dizer por lei onde um vinho podia nascer.
A uva é a Sangiovese, e a lei aperta o que entra na garrafa: no Chianti Classico ela precisa ser no mínimo oitenta por cento do vinho, sem corte pesado escondendo a casta atrás de uva estrangeira.
O que a Sangiovese entrega é acidez, e muita. Ela chega com cereja madura, tanino médio e um final seco que puxa saliva, e é a acidez alta que faz a Toscana funcionar do lado de comida de tomate.
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Acima de R$ 100, o que a garrafa cobra é origem delimitada e tempo parado na vinícola, e o que chega na mesa é acidez viva.
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A zona do Classico fica espremida entre Florença e Siena e reúne cerca de sete mil hectares de vinhedo em colina, com noites frias que seguram a acidez da uva mesmo em verão quente.
O preço na prateleira: R$ 149 na rede de mercado grande e R$ 129 no e-commerce, apurado em 11/08. A diferença entre as duas origens paga quase um terço de garrafa por caixa fechada, e recompensa a compra planejada.
Na boca, o rótulo da faixa de hoje chega mais claro na taça do que o preço sugere, com cereja, um toque de erva seca e álcool na casa dos treze graus e meio. Sozinho ele parece magro, e com molho de tomate na frente o mesmo corpo fica exato.
Na prateleira, procure a palavra Classico depois de Chianti e o selo do galo preto no gargalo. Chianti sem Classico vem de uma área muito maior, aceita setenta por cento de Sangiovese e costuma ficar abaixo dos R$ 100.
As categorias do Classico mudam o tempo de espera antes da venda. Annata sai no ano seguinte à colheita, Riserva depois de vinte e quatro meses e Gran Selezione depois de trinta.
Dentro da faixa acima de R$ 100, a garrafa de hoje é essa: toscana, Sangiovese, Chianti Classico Annata, R$ 129 na origem mais barata. O que ela pede em troca é comida de tomate na mesa, e a lasanha de forno entrega o prato inteiro.
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