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A Serra Gaúcha virou região de espumante por clima e por técnica, e o tanque de aço do Charmat cortou o preço. Ela sai por R$ 54.
Em 1875, as primeiras famílias italianas desembarcaram na serra do Rio Grande do Sul e receberam lotes de mata fechada em encosta, terreno ruim pra lavoura grande e bom pra videira. A serra virou região de vinho por falta de alternativa.
A cidade de Garibaldi, no meio dessa serra, concentrou a produção de garrafa com gás e é reconhecida em lei como Capital Brasileira do Espumante. Boa parte do espumante do supermercado sai de um raio de poucos quilômetros dali.
O reconhecimento formal da região veio depois. O Vale dos Vinhedos, ali ao lado, conseguiu a Indicação de Procedência em 2002 e virou a primeira Denominação de Origem de vinho do Brasil em 2012, com regra escrita de onde a uva pode nascer.
A técnica que barateou a garrafa tem nome e data. O método Charmat foi patenteado pelo francês Eugène Charmat em 1907, depois de o italiano Federico Martinotti descrever o princípio em 1895, e ele muda o lugar onde a segunda fermentação acontece.
Na garrafa individual, cada unidade fermenta, descansa e é aberta uma a uma, e o trabalho vai todo pro preço. No tanque de aço fechado, milhares de litros tomam gás de uma vez e o vinho é engarrafado no fim, com espuma igual e conta menor.
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A borbulha do Charmat nasce num tanque de aço fechado, e é o tanque que derruba o preço da garrafa sem tirar a espuma da taça.
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As uvas da faixa são Chardonnay e Pinot Noir, quase sempre em corte, e a colheita acontece cedo, com a uva ainda ácida. Vinhedo entre seiscentos e oitocentos metros de altitude e noite fria seguram a acidez que a borbulha precisa.
O preço na prateleira: R$ 69 na rede de mercado grande e R$ 54 no e-commerce, apurado em 12/08. A diferença entre as duas origens paga uma garrafa inteira a cada cinco, e recompensa a compra planejada.
Na taça, o rótulo da faixa de hoje chega com espuma fina, maçã verde, um fundo de pão tostado e álcool na casa dos doze graus. Servido gelado ele parece simples, e com queijo derretido na frente o mesmo corpo fica exato.
Na prateleira, procure a palavra brut no rótulo e a origem Serra Gaúcha ou Vale dos Vinhedos no verso. Moscatel na mesma gôndola tem o mesmo formato de garrafa, mas é doce e resolve outro tipo de mesa.
As categorias mudam pelo açúcar que sobra depois da fermentação. Nature vai até três gramas por litro, Extra Brut até seis, Brut até doze, Sec entre dezessete e trinta e dois, Demi-sec de trinta e três a cinquenta.
Dentro da faixa de R$ 50 a R$ 100, a garrafa de hoje é essa: gaúcha, corte de Chardonnay com Pinot Noir, brut de método Charmat, R$ 54 na origem mais barata. O que ela pede em troca é gordura na mesa, e a pizza de sexta entrega o prato inteiro.
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