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Vale que ninguém queria plantar, neblina do Pacífico, acidez de sobra. Ela sai por R$ 42.
Em 1982, Pablo Morandé plantou as primeiras videiras comerciais do Vale do Casablanca num terreno que a viticultura chilena da época tratava como frio demais para amadurecer uva. O vale fica a trinta quilômetros do Pacífico, entre Santiago e Valparaíso, e até ali não tinha parreira comercial de pé.
O reconhecimento oficial veio bem depois. O sistema chileno de denominações de origem saiu por decreto em 1994, e Casablanca entrou nele com nome próprio dentro da região do Aconcágua.
A corrente de Humboldt é a explicação física do vale. Ela sobe gelada desde o sul colada ao litoral chileno, mantém a água do mar perto de treze graus em pleno verão e empurra ar frio vale adentro todo fim de tarde.
A neblina que vem do mar tem nome no Chile: camanchaca. Ela entra de madrugada, cobre as parreiras até quase meio-dia e derruba a temperatura máxima da tarde, o que prende a uva no galho por semanas a mais do que num vale de interior.
Uva que amadurece devagar guarda ácido. O calor forte queima o ácido málico dentro do bago, e onde a manhã fica encoberta e a noite cai dez graus abaixo da tarde o ácido chega inteiro na prensa.
O frio cobra o preço dele. Casablanca pega geada de primavera, e é comum ver torre de hélice e aspersor ligado de madrugada, molhando o broto para formar a casca de gelo que protege a planta.
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A neblina da manhã segura a uva no galho, e é dessa demora que sai a acidez que o shoyu pede.
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A uva da faixa é a Sauvignon Blanc, e o aroma dela tem endereço químico. Os tióis entregam maracujá e toranja, as pirazinas entregam pimentão verde e capim cortado, e a colheita de madrugada com fermentação em tanque frio preserva as duas na garrafa.
O preço na prateleira: R$ 58 na importadora de shopping e R$ 42 no e-commerce, apurado em 14/08. São dezesseis reais de diferença na mesma garrafa e no mesmo lote, e a compra planejada fica com eles no bolso.
Na taça, o rótulo de hoje chega amarelo palha com reflexo esverdeado, com maracujá, limão siciliano e capim cortado no fundo, álcool na casa dos treze graus e acidez que puxa saliva já no primeiro gole.
Na prateleira, procure Valle de Casablanca no rótulo e a safra mais recente no verso. Sauvignon Blanc de vale quente do interior nasce da mesma uva, custa quase o mesmo e chega mole na taça.
Dentro da faixa até R$ 50, a garrafa de hoje é essa: chilena, DO Casablanca, Sauvignon Blanc pura, R$ 42 na origem mais barata. O que ela pede em troca é sal e gordura na mesa, e o sushi de entrega chega com os dois em dose alta.
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