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Vale frio, casca fina, tanino baixo. R$ 49.
Em 31 de julho de 1395, o duque Filipe, o Audaz, assinou um édito que expulsava a Gamay dos vinhedos da Borgonha e mandava plantar Pinot Noir no lugar. O texto chamava a Gamay de planta desleal, e dali vem a linhagem do tinto leve que chega hoje na garrafa de quarenta e nove reais.
O nome descreve o cacho. Pinot vem de pinha, porque as bagas ficam coladas num cone compacto, e noir é a cor da casca. Cacho apertado e casca fina apodrecem com facilidade, e a uva só entrega vinho bom onde o clima é frio e seco.
A genética confirma a idade dela. Em 1999, o time de Carole Meredith, em Davis, mostrou que o cruzamento de Pinot com a antiga Gouais Blanc gerou Chardonnay, Gamay, Aligoté e outras treze uvas francesas.
Menos casca significa menos pigmento e menos tanino. O Pinot Noir chega rubi claro, quase transparente na borda, e a boca sente fruta e acidez antes de qualquer travo.
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A casca fina que faz a uva sofrer no vinhedo é a mesma que entrega tanino baixo na taça.
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O Chile entrou na história em 1982, quando o enólogo Pablo Morandé plantou vinha comercial no vale de Casablanca, entre Santiago e Valparaíso, num lugar tido como frio demais pra amadurecer uva.
O mar é o motor do vale. A corrente de Humboldt sobe água fria pela costa do Pacífico e empurra névoa pra dentro do vale de manhã, o sol só abre por volta das onze e a noite cai pra casa dos nove graus.
Dia quente amadurece o açúcar e noite fria segura a acidez, então a uva chega na cantina com fruta madura e acidez alta ao mesmo tempo.
O reconhecimento veio em 1994, com a denominação de origem Valle de Casablanca. Em duas décadas o vale virou endereço de Pinot Noir e Chardonnay, enquanto o resto do Chile seguia vendendo Cabernet de vale quente.
O preço na prateleira: R$ 69 na importadora de shopping e R$ 49 no e-commerce, apurado em 17/08. São vinte reais de diferença na mesma garrafa e no mesmo lote, e a compra planejada fica com eles no bolso.
Na taça, o rótulo de hoje chega rubi claro, com cereja vermelha, framboesa e um fundo de cogumelo, álcool na casa dos treze graus, acidez alta e tanino que quase não aparece.
Na prateleira, procure Casablanca ou Leyda no rótulo e safra dos últimos dois anos. Pinot Noir de vale quente do centro do Chile custa quase o mesmo e chega cozido, com fruta em compota e sem acidez.
Dentro da faixa de até R$ 50, a garrafa de hoje é essa: chilena, DO Valle de Casablanca, Pinot Noir puro, R$ 49 na origem mais barata. O que ela pede em troca é molho cremoso e cogumelo na mesa, e o estrogonofe chega com os dois.
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