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Altitude, seis meses de barrica, corpo cremoso. R$ 55.
Em 1999, uma equipe da Universidade da Califórnia em Davis comparou o DNA de mais de trezentas castas e mostrou que Chardonnay nasceu do cruzamento entre Pinot Noir e Gouais Blanc, uma uva rústica que os camponeses franceses plantavam e os nobres desprezavam. Dali vem a linhagem do branco mais copiado do mundo, o mesmo que chega hoje na garrafa de cinquenta e cinco reais.
O endereço barato dela é o Vale do Uco, em Mendoza, a mais de mil metros de altitude no pé dos Andes. O vinhedo é irrigado por água de degelo e a amplitude térmica entre o meio-dia e a madrugada passa de quinze graus.
A noite fria da altitude segura o ácido na uva. A fruta amadurece no sol do dia e descansa no frio da noite, e o vinho chega na taça com corpo de região quente e nervo de região fria.
O corpo do vinho começa antes da barrica, na borra fina. Depois da fermentação sobram leveduras mortas em suspensão, e o produtor mexe o tanque pra elas voltarem a circular por alguns meses.
O contato com a borra entrega textura, não sabor. As leveduras se desfazem e liberam manoproteínas, que engrossam o vinho na boca e deixam a sensação de creme que o purê de mandioca vai encontrar do outro lado da mesa.
A barrica entra em dose curta nesta faixa de preço. Seis a oito meses em carvalho, e boa parte dele já usado, o bastante pra dar baunilha discreta e um fundo tostado sem cobrir a fruta.
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O carvalho demorado estraga a garrafa: doze meses ou mais em madeira nova entrega manteiga derretida e serragem, e a acidez que faz o serviço na mesa some.
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Uma palavra no rótulo separa a garrafa certa da errada. Barrica, roble ou oak indicam passagem por madeira, e a contra-etiqueta costuma dizer quantos meses; sem menção, o vinho é de aço e chega magro pro purê.
Os números da garrafa de hoje ficam assim:
| Preço na importadora de shopping | R$ 82 |
| Preço no e-commerce | R$ 55 |
| Álcool declarado | 13,5% |
| Barrica | 6 meses, carvalho francês de segundo uso |
São vinte e sete reais de diferença na mesma garrafa e no mesmo lote, apurado em 20/08, e a compra planejada fica com eles no bolso.
Na taça, o rótulo de hoje chega amarelo-palha com reflexo dourado, com abacaxi maduro, pêra, casca de limão siciliano e um fundo de baunilha e amêndoa tostada, corpo médio pra encorpado e acidez alta que aparece no fim do gole.
Na prateleira, procure Vale do Uco, Tupungato ou Gualtallary no rótulo e a menção de barrica na contra-etiqueta. Chardonnay de planície custa quase o mesmo, chega mole e sem acidez, e afunda embaixo do purê.
Dentro da faixa de R$ 50 a R$ 100, a garrafa de hoje é essa: argentina, Vale do Uco, Chardonnay com seis meses de barrica, R$ 55 na origem mais barata. O que ela pede em troca é gordura e sal na mesa, e o escondidinho chega com os dois.
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