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Rară Neagră, Purcari, distrito de Ștefan Vodă, Moldávia, tinto seco, safra 2023. R$ 89 a garrafa.
Rară Neagră quer dizer “negra rala” em romeno, a língua falada na Moldávia, e o apelido vem do cacho de bagos espaçados. A uva é nativa da faixa entre os rios Prut e Dniestre, e na Romênia atende por Băbească Neagră (a negra da avó, numa tradução livre).
A vila de Purcari fica no extremo sudeste do país, a poucos quilômetros da margem do Dniestre e a cerca de cem quilômetros do Mar Negro. O rio e o mar amaciam o inverno e esticam o outono, e a uva amadurece devagar.
A adega começou a funcionar em 1827, quando a região pertencia ao Império Russo. Um decreto do czar Nicolau I deu à vila o status de primeira vinícola especializada da Bessarábia (o território que hoje forma quase toda a Moldávia).
A casa atravessou o Império Russo, a Romênia do entreguerras e a União Soviética, quando a produção virou estatal. Nos anos 2000, a vinícola foi privatizada e reformada, e as adegas subterrâneas de tijolo seguem em uso.
A Rară Neagră tem cacho grande e casca fina. A pele fina guarda pouca antocianina (o corante natural da casca) e pouco tanino, e o vinho sai claro, rubi transparente, parecido com um Pinot Noir na taça.
A casca fina cobra cuidado. A uva racha com chuva na colheita e pede seleção à mão, e quase sumiu dos vinhedos no período soviético, quando o plano estatal preferia uvas de rendimento alto. As vinícolas do sul do país voltaram a plantar a variedade a partir dos anos 2000.
Casca fina, cor clara e cereja no nariz: a Rară Neagră é tinto pra lanche, sem cerimônia. |
Na taça, mostra rubi claro com a borda alaranjada. O cheiro é de cereja, morango maduro, um toque de pimenta-do-reino e de ameixa seca. Na boca, é seco, de corpo leve, acidez alta, tanino baixo e 13% de álcool.
O rótulo dessa faixa passa poucos meses em barrica usada ou fica só no inox, e a madeira mal aparece. É vinho pra beber nos três primeiros anos, e a safra 2023 está fresca.
Na Moldávia, a uva acompanha a mesa de todo dia, do ensopado de porco à mămăligă (a polenta firme de milho que faz as vezes de pão). O tinto leve nasceu pra comida de casa, com tempero e caldo, e chega ao Brasil sem estranhar a carne louca.
Na prateleira, não confunda com o Negru de Purcari, o corte famoso da casa, que leva Cabernet Sauvignon e Saperavi ao lado da Rară Neagră, passa dois anos em barrica e custa bem acima de R$ 100. Pra carne louca, procure o varietal, com Rară Neagră escrito no rótulo.
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