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Durif, Campbells, Rutherglen, Austrália, tinto seco, safra 2021. R$ 189 a garrafa.
O Durif nasceu nas mãos de François Durif, botânico francês que mantinha um viveiro de mudas em Montpellier, no sul da França. Por volta de 1880, ele cultivava e vendia variedades novas pros vinhateiros da região.
A França vivia a praga do oídio, um fungo que cobre a uva de pó branco e apodrece o cacho. Durif procurava uma uva de casca grossa que resistisse ao fungo, e a planta que levou o sobrenome dele saiu de um cruzamento de Syrah com Peloursin, uma uva antiga dos Alpes franceses.
A casca grossa resolveu o fungo e criou outra barreira. O cacho é tão fechado que a uva apodrece por dentro em ano de chuva, e os bagos pequenos rendem pouco suco. Na França, a variedade quase sumiu dos vinhedos ao longo do século 20.
A uva cruzou o oceano no fim do século 19. Na Califórnia, ganhou o apelido de Petite Sirah (pequena Sirah, por causa do bago miúdo). Na Austrália, manteve o sobrenome do criador e achou casa em Rutherglen, no nordeste do estado de Victoria, perto da divisa com Nova Gales do Sul.
Casca grossa contra o fungo francês, verão seco no norte de Victoria: o Durif de Rutherglen é tinto denso de fruta preta e tanino alto. |
Rutherglen tem verão quente e seco, com dias acima de 30 graus e pouca chuva na colheita. O ar seco livra o cacho fechado da podridão que o derrubou na França, e o calor amadurece a casca grossa até a fruta ficar escura e doce no aroma.
A família Campbell planta uva na cidade desde 1870, no tempo da corrida do ouro em Victoria. Rutherglen ficou famosa pelos vinhos fortificados (com aguardente adicionada) de Moscatel, e o Durif virou o tinto seco da casa, servido com a carne assada da região.
O caminho até o Brasil explica a faixa de preço. A garrafa sai de Melbourne, cruza o Pacífico e o Atlântico, paga imposto de importação e chega aqui acima de R$ 100. Rutherglen produz pouco Durif, e a uva de casca grossa rende menos vinho por hectare.
Na taça, o Durif mostra cor quase negra, de borda violeta. O cheiro é de amora, ameixa preta, chocolate amargo e pimenta-do-reino. Na boca, é seco, de corpo cheio, tanino alto e 14,5% de álcool.
A versão da Campbells passa um ano em barrica de carvalho usado, que arredonda o tanino sem cobrir a fruta com baunilha. Os Durif de prestígio, de vinhedo velho, custam o triplo e pedem anos de garrafa.
Na prateleira, procure Durif e Rutherglen no rótulo. Se aparecer Petite Sirah, a uva é a mesma, em versão californiana, com fruta mais madura e preço parecido.
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