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Pinot Gris, Saint Clair, Marlborough, Nova Zelândia, branco seco, safra 2024. R$ 139 a garrafa.
O Pinot Gris é uma mutação da Pinot Noir, a tinta da Borgonha. Em algum momento da Idade Média, um ramo da videira alterou o gene que dá cor à casca, e os cachos daquele ramo nasceram cinza-rosados.
Os vinhateiros notaram a diferença, plantaram estacas daquele ramo e mantiveram a cor. O nome descreve a casca: gris quer dizer cinza em francês. Por dentro, o DNA continua quase idêntico ao da Pinot Noir, e a polpa das duas é clara.
A casca rosada tem pouco pigmento e quase nenhum tanino, e a uva vira vinho branco: o suco é separado da casca logo na prensa, e o líquido sai dourado claro, às vezes com um reflexo cobre.
A uva se espalhou pela Alsácia, no leste da França, onde dá brancos gordos, e pelo norte da Itália, onde ganhou o apelido de Pinot Grigio (cinza, em italiano) e virou branco leve, de colheita cedo.
Mutação de cor da Pinot Noir, sol forte e noite fria no norte da ilha sul: o Pinot Gris de Marlborough é branco de textura, com pera madura e acidez firme. |
Marlborough fica na ponta nordeste da ilha sul da Nova Zelândia, num vale aberto pelo rio Wairau. O dia tem sol forte e céu limpo; a noite esfria rápido com o vento que desce das montanhas.
A diferença de temperatura entre o dia e a noite faz o trabalho. O sol amadurece a uva e acumula açúcar, e a noite fria segura a acidez. O vinho sai com fruta madura e frescor na mesma taça.
A região ficou famosa no mundo pelo Sauvignon Blanc, plantado em escala a partir dos anos 1970. O Pinot Gris chegou depois, ocupa uma parte pequena dos vinhedos, e os produtores colhem mais tarde pra ganhar corpo.
O caminho até o Brasil explica a faixa de preço. A garrafa cruza o Pacífico e o Atlântico, paga imposto de importação e chega aqui acima de R$ 100. A Nova Zelândia produz pouco vinho, e quase todo o volume sai como Sauvignon Blanc.
Na taça, o Pinot Gris mostra cor de palha com reflexo dourado. O cheiro é de pera madura, maçã amarela, mel e um toque de gengibre. Na boca, é seco, de corpo médio, textura oleosa e 13,5% de álcool.
A textura vem de uma escolha da adega. Parte do vinho descansa sobre as borras finas (as leveduras mortas que assentam no fundo do tanque) por alguns meses, e esse contato dá a sensação de creme na língua.
Na prateleira, procure Pinot Gris e Marlborough no rótulo. O Pinot Grigio italiano é a mesma uva em versão magra e cítrica, bom pra peixe frito e fraco pro gratinado.
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