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Rkatsiteli, Pheasant's Tears, Kakheti, Geórgia, branco âmbar seco, safra 2021. R$ 189 a garrafa.
A Rkatsiteli é uma uva branca de casca dourada, uma das mais antigas e mais plantadas da Geórgia. O nome junta duas palavras georgianas, rka (chifre) e tsiteli (vermelho), por causa do talo do cacho, que avermelha no fim do verão.
Kakheti, a região do leste do país, no vale do rio Alazani, concentra a maior parte dos vinhedos georgianos. O verão é quente e seco, as montanhas do Cáucaso protegem o vale do vento frio do norte, e a uva amadurece com açúcar e casca grossa.
Na adega, o branco segue a receita do tinto. A uva é esmagada e o suco fermenta junto com a casca, as sementes e parte dos talos por cinco a seis meses. A técnica se chama maceração, o molho prolongado das partes sólidas da uva no suco.
Num branco comum, a prensa separa o suco da casca nas primeiras horas, e o vinho sai claro. Aqui a casca fica de molho por meses e solta pigmento amarelo, aroma e tanino.
O pigmento explica o apelido. O vinho ganha tom de âmbar, entre o mel escuro e o chá-mate, e as importadoras passaram a chamar esses brancos de vinho laranja ou vinho âmbar.
Uva branca, casca de molho por meses e verão quente de Kakheti: o Rkatsiteli sai âmbar, seco e com tanino de tinto leve. |
O recipiente de barro enterrado, o qvevri (a ânfora georgiana de argila), mantém a temperatura estável durante a fermentação. Ele ajuda, mas quem dá cor e tanino é a casca.
Na taça, o Rkatsiteli mostra cor de âmbar com reflexo de cobre. O cheiro é de damasco seco, casca de laranja, chá preto e noz. Na boca, é seco, de corpo médio, acidez viva e 12,5% de álcool.
O tanino aparece no fim do gole como uma aspereza fina na gengiva, mais leve que a de um tinto e bem mais presente que a de um branco de prensa rápida.
O vinho também passa por pouca filtragem, e algumas garrafas mostram um véu turvo ou um depósito no fundo. São restos de casca e de levedura (o fungo que faz a fermentação), sem defeito nenhum.
A safra 2021 já teve tempo de garrafa pra amaciar o tanino, e o vinho chega pronto pra beber, sem pedir mais anos de guarda.
O preço tem motivo. A Pheasant's Tears produz em pequena escala, a garrafa cruza o Mar Negro e o Atlântico, paga imposto de importação e chega aqui acima de R$ 100.
Na prateleira, procure Rkatsiteli no rótulo e as palavras amber (âmbar, em inglês) ou qvevri no contrarrótulo, sinal de que a casca ficou com o suco. O Rkatsiteli de prensa rápida também existe e sai claro, frutado e sem tanino, bom pra peixe frito e fraco pro pato.
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