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Agiorgitiko, Domaine Skouras, Saint George, Neméia, Grécia, tinto seco, safra 2022. R$ 89 a garrafa.
Agiorgitiko quer dizer uva de São Jorge (Agios Georgios, em grego). É a tinta mais plantada do sul da Grécia, de cacho médio, casca escura e grão macio, e quase toda ela cresce no Peloponeso.
Neméia é o vale onde a uva rende o melhor vinho. Fica no nordeste do Peloponeso, entre Corinto e Argos, a cerca de 120 quilômetros de Atenas, e é a maior denominação de tintos da Grécia, a área demarcada desde 1971 onde só a Agiorgitiko entra no tinto.
O vale é o cenário do primeiro dos doze trabalhos de Hércules no mito grego. Um leão de pele impossível de furar com flecha ou espada atacava os rebanhos da região, e o herói o matou estrangulado com as mãos e passou a vestir a pele dele como armadura.
Os moradores do vale ligam o vinho ao mito pela cor. O tinto de Neméia sai escuro, quase roxo, e a tradição local o batizou de sangue de Hércules, o sangue do herói que lutou ali.
Quando o apelido nasceu ninguém sabe. Nenhum texto antigo registra o nome, e ele chega até hoje pela fala dos produtores e pelos rótulos e cartazes da região, sem data de origem que se possa conferir.
O solo e a altitude explicam o vinho. Os vinhedos sobem de 250 a 850 metros. No fundo do vale, o calor deixa a uva madura e de fruta escura; nas encostas altas, a noite fresca segura a acidez.
Casca escura, grão macio e encosta fresca: a Agiorgitiko de Neméia sai cor de sangue, macia e de tanino baixo. |
A Skouras, vinícola fundada em 1986 por George Skouras perto de Argos, trabalha com uva das encostas médias do vale. O Saint George fermenta em inox, e parte do vinho passa alguns meses em barrica usada, a madeira já sem o gosto forte de baunilha.
Na taça, mostra rubi escuro com borda violeta. O cheiro lembra ameixa, cereja preta, amora e um toque de cravo.
Na boca, é seco, de corpo médio e 13% de álcool. O tanino é fino e baixo, a acidez é média, e o final deixa fruta escura e uma ponta de especiaria.
O preço reflete a escala. A Grécia exporta pouco tinto pro Brasil, mas Neméia produz muito, e a Agiorgitiko de entrada chega abaixo dos R$ 100 mesmo com frete e imposto de importação.
Na prateleira, procure Nemea (Neméia, em grego transliterado) no rótulo, sozinho ou com a sigla PDO (denominação de origem protegida). Rótulo com Agiorgitiko e sem Nemea pode vir de outra parte do Peloponeso, com corpo mais leve.
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