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Fendant, Provins, Valais AOC, Suíça, branco seco, safra 2024. R$ 139 a garrafa.
Fendant é o nome que o cantão do Valais dá à Chasselas, a uva branca mais plantada da Suíça. Fora do Valais, a mesma uva sai no rótulo como Chasselas; ali, a regra do cantão reserva o nome Fendant pro vinho feito só com ela.
O nome vem do francês fendre (rachar). A Chasselas madura do Valais tem casca fina, e o grão apertado entre o polegar e o indicador racha e solta o suco sem esmagar. Os viticultores separavam assim a uva no ponto, e o apelido ficou.
A origem da uva passou décadas em disputa. Já se apontou o Egito, a Turquia e a aldeia francesa de Chasselas, na Borgonha. O ampelógrafo suíço José Vouillamoz (estudioso das variedades de uva), no livro Wine Grapes, de 2012, escrito com Jancis Robinson e Julia Harding, situa o berço da Chasselas na margem do Lago Léman, pela análise de DNA e pelos registros mais antigos.
O Valais é um corredor de montanha. O Ródano nasce numa geleira dos Alpes e desce pro oeste até o Lago Léman, e os vinhedos sobem as encostas de face sul em terraços de pedra seca, de 450 a mais de 1.000 metros de altitude.
O clima explica a uva madura. As montanhas barram a chuva, o vale está entre os pontos mais secos da Suíça, e o föhn, um vento quente e seco que desce dos Alpes, ajuda a amadurecer o cacho no outono.
Casca fina, sol de encosta e acidez domada: o Fendant sai macio, de textura cheia e sabor discreto. |
A acidez baixa vem da uva e da adega. A Chasselas já nasce menos ácida que a maioria das brancas, e o produtor do Valais costuma deixar o vinho fazer a fermentação malolática, a segunda fermentação, que troca o ácido málico (o da maçã verde) pelo lático (o do leite), mais macio.
Depois, o vinho descansa alguns meses sobre as borras finas, as leveduras mortas que caem no fundo do tanque. Esse contato dá ao branco a textura que enche a boca sem peso de madeira.
A Provins, cooperativa fundada em 1930 em Sion, reúne milhares de pequenos viticultores do cantão e é a maior produtora de vinho da Suíça.
Na taça, mostra amarelo-palha claro, com reflexo esverdeado. O cheiro lembra pera, flor de tília, amêndoa fresca e uma ponta de pedra molhada.
Na boca, é seco, de corpo médio e 12% de álcool. A acidez é baixa, a textura é cremosa, e o final deixa amêndoa e uma nota leve de sal.
O preço reflete o país. A Suíça bebe quase todo o vinho que faz e exporta pouco, a mão de obra nas encostas é cara, e a garrafa chega ao Brasil acima dos R$ 100 mesmo na versão de entrada.
Na prateleira, procure Fendant e Valais AOC (denominação de origem controlada) no rótulo. Os dois nomes juntos garantem a Chasselas pura, colhida nas encostas do cantão.
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