In partnership with

Vinho em Conta   Vinho em Conta
ED 073
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Koshu de R$ 189 pro tempurá de legumes

Acima de R$ 100: o Koshu de Yamanashi, uva japonesa de casca rosada, chega quase transparente pro tempurá, a 8 graus.

O tempurá de legumes e a taça de Koshu, quase transparente.

O Koshu de Yamanashi e o tempurá de legumes

▼
 

O Grace Koshu 2023, da vinícola Grace, de Katsunuma, saiu a R$ 189 no site de uma importadora paulista e a R$ 236 num empório de Porto Alegre, preços lidos nas duas lojas virtuais em 17/10/2026. Os R$ 47 de distância pagam o frete refrigerado até o Sul, o estoque pequeno do empório e a margem de quem vende poucas garrafas japonesas por mês.

O tempurá de legumes chegou à cozinha japonesa com os missionários portugueses do século 16 e hoje sai de muita panela brasileira em noite de semana. Abobrinha, berinjela, cenoura, batata-doce e folha de shissô (erva japonesa da família da hortelã) passam por uma massa rala de farinha e água gelada e vão ao óleo a 170 graus.

A água gelada faz a casca. Fria, ela segura o glúten da farinha, e a fritura sai fina, rendada e seca, sem a crosta grossa do empanado de bar.

No prato, o tempurá junta três forças. O óleo deixa uma película na boca. O legume chega doce, mais ainda na abóbora e na batata-doce. E o tentsuyu (molho de caldo de peixe seco, shoyu e saquê doce) traz sal e umami, o gosto de caldo concentrado.

Dois erros aparecem nessa mesa. Um Sauvignon Blanc de aroma alto, de maracujá e grama cortada, grita mais alto e apaga a abobrinha. Um tinto de corpo médio amarra a boca contra o shoyu e deixa o caldo com gosto de ferro.

O tempurá pede um branco discreto, de acidez fina e corpo leve, capaz de limpar o óleo sem roubar a cena. Uma uva cultivada há séculos no vale de Kofu, com o monte Fuji no horizonte, junta as três qualidades e chega ao copo quase sem cor.

Como uma casca rosada vira vinho transparente, por que o caldo de shoyu gosta dele e qual temperatura segura o aroma: a primeira faixa abre pelo rótulo.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Eat well without any effort.

Getting the nutrition you deserve doesn’t need to take up all your time. CookUnity delivers fresh dishes handcrafted by award-winning chefs, ready to heat in minutes. Build a custom menu for your entire week, so you can spend your evenings on your terms—not scrubbing pans. Skip, pause, or change your plan size anytime.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Garrafa de Hoje

A uva rosada que chega sem cor

Grace Koshu, Chuo Budoshu (vinícola Grace), Katsunuma, Yamanashi, Japão, branco seco, safra 2023. R$ 189 a garrafa.

Koshu é o nome da uva e também o apelido antigo da região de Kai, a atual província de Yamanashi. A uva cresce no vale de Kofu, uma bacia cercada de montanhas, uns 100 quilômetros a oeste de Tóquio.

A origem tem duas lendas locais. Uma credita o monge budista Gyoki, que teria plantado a primeira videira no templo Daizen-ji no ano de 718. A outra fala de Amemiya Kageyu, um agricultor de Katsunuma que teria achado a planta selvagem em 1186. Nenhuma das duas tem documento da época, e os historiadores japoneses tratam as datas como tradição oral.

A genética contou o resto. Em 2013, a pesquisadora Nami Goto-Yamamoto, do Instituto Nacional de Pesquisa em Fermentação do Japão, publicou a análise do DNA da Koshu: a uva descende sobretudo da Vitis vinifera (a espécie europeia das uvas de vinho) e carrega uma parte de Vitis davidii, videira selvagem da China. O caminho provável é a Rota da Seda, do Cáucaso ao Japão, passando pela China.

Em 2010, a Koshu entrou na lista oficial da OIV (Organização Internacional da Uva e do Vinho), a primeira uva japonesa registrada. Desde 2013, Yamanashi tem indicação geográfica própria para vinho.

A casca rosada explica a cor. A uva amadurece num tom lilás acinzentado, mas o pigmento mora só na pele, e a polpa é clara. A Grace prensa os cachos inteiros com cuidado e separa logo o suco da casca, então o vinho sai quase transparente, com um brilho levemente esverdeado.

Casca rosada, polpa clara e prensa rápida: o Koshu chega ao copo com cor de água e acidez fina.

No vinhedo, a planta sobe em tanadana (latada alta, de teto plano, como a parreira de quintal). O verão do vale é úmido, com chuva de monção em junho e julho, e a latada deixa os cachos a quase 2 metros do chão, longe do fungo e com ar passando por baixo.

Na adega, nada de madeira. O mosto fermenta em tanque de inox, a frio, e o vinho descansa sobre as borras finas (o depósito de levedura morta) por alguns meses, o que dá um pouco de textura sem engordar o corpo.

No copo, aparece o cheiro de pera, casca de yuzu (limão japonês), flor branca e uma ponta de pedra molhada. O gole é seco e leve, com 11,5% de álcool, e termina num amargo delicado de casca de toranja.

O preço passa de R$ 100 por quatro motivos. O Japão produz pouco vinho, a terra no vale é cara, a colheita nas latadas é toda à mão e cada garrafa atravessa o Pacífico até o porto de Santos.

Na prateleira, procure Koshu escrito no rótulo e a sigla GI Yamanashi. Garrafa sem a indicação pode ser corte com uva de outra origem ou vinho feito de suco importado, prática antiga no Japão.

 
 

II  Com o Que Combina

O óleo, o shoyu e a acidez fina

O tempurá pede ao vinho acidez pra limpar o óleo, discrição pra deixar o legume aparecer e um fundo mineral pro caldo de shoyu.

A acidez limpa o óleo. A casca rendada guarda pouca gordura, mas cada mordida deixa um brilho na boca. O Koshu entra ácido sem ser cortante, varre o brilho, e o próximo pedaço chega com o sabor inteiro.

A discrição deixa o legume falar. Abobrinha e berinjela têm gosto suave, e um vinho de aroma alto cobre o prato. O Koshu cheira baixo, de pera e yuzu, e passa pelo legume sem disputar.

O caldo pede mineral. O tentsuyu leva dashi (caldo de alga kombu e lascas de peixe bonito seco), shoyu e mirin (saquê doce de cozinha). O fundo de pedra molhada do Koshu conversa com o umami do caldo, e o amargo de toranja no final segura o sal do shoyu.

Muita mesa japonesa troca o caldo por uma pitada de matcha-shio (sal misturado com chá verde em pó). Com sal puro, o Koshu fica ainda mais vivo, porque o sal arredonda a acidez e realça a fruta.

Os legumes mudam pouco o par. Abóbora e batata-doce, mais doces, pedem a garrafa bem gelada pra acidez aparecer. Shissô, vagem e cogumelo shiitake casam direto, pelo verde e pela terra.

Na panela, o óleo pede 170 graus e a massa pede pressa. Misture farinha e água gelada com hashi (os pauzinhos japoneses), sem bater, e deixe grumos: massa lisa demais vira crosta grossa. Frite em lotes pequenos, pra temperatura não cair, e escorra em grade, nunca em papel.

Arroz japonês, missoshiru (sopa de pasta de soja) e conserva de nabo acompanham bem. Camarão empanado na mesma massa também serve. Carne com molho tarê, doce e grosso, pesa no prato e pede outro vinho.

Acima de R$ 100, um Albariño das Rías Baixas, branco do noroeste da Espanha, custa R$ 139 numa importadora de Santa Catarina; num empório de Brasília, sai por R$ 168, valores lidos em 17/10/2026. Tem mais fruta e mais sal, e resolve quando o Koshu some da loja.

O Chardonnay com barrica põe manteiga sobre a fritura e dobra a gordura. O Riesling meio-doce acerta a acidez, mas o açúcar briga com o shoyu.

Vale também pra outras frituras leves, do pastel de palmito à isca de peixe: acidez fina, aroma baixo e corpo leve.

 

Quem banca a edição de hoje

Smart starts here.

You don't have to read everything — just the right thing. 1440's daily newsletter distills the day's biggest stories from 100+ sources into one quick, 5-minute read. It's the fastest way to stay sharp, sound informed, and actually understand what's happening in the world. Join 4.5 million readers who start their day the smart way.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Sem Cerimônia

A garrafa a 8 graus, taça de boca estreita

O Koshu vai à mesa a 8 graus. Em outubro, a garrafa guardada no armário passa dos 23 graus, e o calor abre o álcool e esconde o aroma, que já nasce baixo.

1. Na geladeira: 3 horas e meia levam a garrafa a 8 graus. Guarde no começo da tarde, antes de cortar os legumes.

2. Na pressa: balde com gelo picado e água até o gargalo, por 20 minutos, girando a garrafa de vez em quando.

3. Na abertura: a Grace fecha com rolha. Abra 5 minutos antes de servir, sem decantar.

4. No copo: taça de branco de boca estreita, cheia até um terço, pra juntar o aroma discreto.

5. No prato: tempurá direto da grade, ainda estalando, com o caldo morno numa tigela.

A 8 graus, a acidez fica fina e a pera aparece. A 4 graus, o frio da porta da geladeira, o Koshu emudece e vira água ácida; a 13, o álcool sobe e o amargo do final pesa.

O Koshu aceita frio porque tem pouco açúcar e pouca fruta pra perder. Acima de 10 graus, o corpo leve parece aguado.

Na mesa, mantenha a garrafa num balde com água fria e sirva meia taça por vez. A fritura esquenta a cozinha, e a dose pequena chega fria até o último gole.

A garrafa de 750 mililitros rende cinco taças. Pra quatro pessoas, sobra uma; com convidado, conte duas.

Aberto, o Koshu dura 2 dias na geladeira com a rolha de volta. Perde parte do yuzu, guarda a acidez e acompanha a sobra do tempurá no almoço, requentada no forno a 200 graus por 5 minutos pra casca voltar a estalar.

Em Katsunuma, o Koshu vai à mesa com o hoto (sopa de macarrão grosso com abóbora, prato típico de Yamanashi) e com legumes fritos da estação. O tempurá de casa repete a lógica: legume, caldo e um branco calado pra limpar a boca entre um pedaço e outro.

“No próximo tempurá de legumes, o caldo de shoyu vai sozinho ou com um Koshu de R$ 189 a 8 graus?”

O jantar pra 4 pessoas sai por R$ 247, com o Koshu a R$ 189, 1 quilo de legumes variados a R$ 22, farinha, óleo e ovo a R$ 18 e shoyu, mirin e arroz a R$ 18, preços de 17/10/2026.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, em que ano a lenda local credita o agricultor Amemiya Kageyu por achar a videira selvagem em Katsunuma?

A718
B1186
C2010
D2013

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🍷🍷🍷🍷🍷  ótima 🍷🍷🍷🍷  boa 🍷🍷🍷  ok 🍷🍷  ruim 🍷  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 19/10, 23h

A Bobal pro hot dog →
B Kékfrankos pra polenta →
C Riesling Itálico pro salpicão →
D Xinomavro pra vaca atolada →
 
Recomendação de Newsletter
Brasa Certa

Brasa Certa

Às 14:14 na sua caixa: o corte, a técnica e o equipamento certo pra você chegar no fim de semana preparado.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Compra na faixa. Abre sem susto.

Vinho em Conta

VINHO EM CONTA

Uma garrafa por dia, na faixa que você paga

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter