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Grace Koshu, Chuo Budoshu (vinícola Grace), Katsunuma, Yamanashi, Japão, branco seco, safra 2023. R$ 189 a garrafa.
Koshu é o nome da uva e também o apelido antigo da região de Kai, a atual província de Yamanashi. A uva cresce no vale de Kofu, uma bacia cercada de montanhas, uns 100 quilômetros a oeste de Tóquio.
A origem tem duas lendas locais. Uma credita o monge budista Gyoki, que teria plantado a primeira videira no templo Daizen-ji no ano de 718. A outra fala de Amemiya Kageyu, um agricultor de Katsunuma que teria achado a planta selvagem em 1186. Nenhuma das duas tem documento da época, e os historiadores japoneses tratam as datas como tradição oral.
A genética contou o resto. Em 2013, a pesquisadora Nami Goto-Yamamoto, do Instituto Nacional de Pesquisa em Fermentação do Japão, publicou a análise do DNA da Koshu: a uva descende sobretudo da Vitis vinifera (a espécie europeia das uvas de vinho) e carrega uma parte de Vitis davidii, videira selvagem da China. O caminho provável é a Rota da Seda, do Cáucaso ao Japão, passando pela China.
Em 2010, a Koshu entrou na lista oficial da OIV (Organização Internacional da Uva e do Vinho), a primeira uva japonesa registrada. Desde 2013, Yamanashi tem indicação geográfica própria para vinho.
A casca rosada explica a cor. A uva amadurece num tom lilás acinzentado, mas o pigmento mora só na pele, e a polpa é clara. A Grace prensa os cachos inteiros com cuidado e separa logo o suco da casca, então o vinho sai quase transparente, com um brilho levemente esverdeado.
Casca rosada, polpa clara e prensa rápida: o Koshu chega ao copo com cor de água e acidez fina. |
No vinhedo, a planta sobe em tanadana (latada alta, de teto plano, como a parreira de quintal). O verão do vale é úmido, com chuva de monção em junho e julho, e a latada deixa os cachos a quase 2 metros do chão, longe do fungo e com ar passando por baixo.
Na adega, nada de madeira. O mosto fermenta em tanque de inox, a frio, e o vinho descansa sobre as borras finas (o depósito de levedura morta) por alguns meses, o que dá um pouco de textura sem engordar o corpo.
No copo, aparece o cheiro de pera, casca de yuzu (limão japonês), flor branca e uma ponta de pedra molhada. O gole é seco e leve, com 11,5% de álcool, e termina num amargo delicado de casca de toranja.
O preço passa de R$ 100 por quatro motivos. O Japão produz pouco vinho, a terra no vale é cara, a colheita nas latadas é toda à mão e cada garrafa atravessa o Pacífico até o porto de Santos.
Na prateleira, procure Koshu escrito no rótulo e a sigla GI Yamanashi. Garrafa sem a indicação pode ser corte com uva de outra origem ou vinho feito de suco importado, prática antiga no Japão.
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