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Mavrud Thracian Valley, Vinprom Assenovgrad, Plovdiv, Bulgária, tinto seco, safra 2022. R$ 46 a garrafa.
Mavrud é uva da planície da Trácia, no sul da Bulgária, e tem seu berço em Assenovgrad, cidade pequena a 20 quilômetros de Plovdiv, na beira das montanhas Ródope. Fora dali, quase ninguém planta.
A lenda local data do século 9. O cã Krum, governante do Primeiro Império Búlgaro, mandou arrancar as videiras do reino depois de uma bebedeira dos soldados. Um leão invadiu a cidade, e um jovem chamado Mavrud enfrentou o bicho e venceu. A mãe contou ao cã de onde vinha a coragem do filho: do vinho guardado em segredo. Krum liberou o plantio, e a uva herdou a alcunha do rapaz.
Nenhum documento da época confirma a história, e os búlgaros a contam como tradição oral. A etimologia aponta outro caminho: mavro quer dizer preto em grego, referência à cor quase opaca do vinho.
A uva amadurece tarde, no começo de outubro, e precisa do calor longo da planície. O cacho é pequeno, de bagas miúdas e casca grossa, e a planta rende pouco. Sem verão quente, o tanino chega verde e áspero.
A casca grossa explica o vinho. Quanto mais pele por gota de suco, mais cor e mais tanino passam pro mosto durante a fermentação. Bago miúdo tem muita pele pra pouca polpa, e o Mavrud sai escuro, quase preto contra a luz, com tanino que aperta a gengiva.
Bago miúdo, casca grossa e verão comprido: o Mavrud chega ao copo escuro, com especiaria e tanino apertado. |
Na adega, a Vinprom deixa o mosto em contato com as cascas por cerca de duas semanas, em tanque de inox. Depois, parte do vinho passa alguns meses em barrica usada de carvalho, que arredonda o tanino sem pôr gosto de baunilha.
No copo, aparece amora, ameixa seca, cravo, pimenta-do-reino e um fundo de terra molhada. O gole é seco, de acidez viva, com 13% de álcool, e termina firme, num tanino que seca a boca e pede comida.
O preço fica abaixo de R$ 50 por três motivos. A terra na Trácia custa pouco, a Bulgária produz vinho em volume desde a era socialista, quando abastecia a União Soviética, e o Mavrud segue pouco conhecido lá fora, sem a fama que encarece outras tintas.
Na prateleira, procure Mavrud escrito no rótulo e a indicação Thracian Valley (Vale da Trácia), a região oficial de vinho do sul búlgaro. Garrafa com Mavrud em letra pequena e outra uva em destaque é corte, com menos tanino e menos especiaria.
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