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Il Pumo Negroamaro, San Marzano, Salento IGP, Puglia, Itália, tinto seco, safra 2023. R$ 48 a garrafa.
Negroamaro é a uva tinta do Salento, a península no salto da bota italiana, entre o mar Adriático e o golfo de Taranto. A sigla IGP do rótulo quer dizer Indicação Geográfica Protegida, o selo italiano que garante a origem da uva. A San Marzano, cooperativa criada em 1962 por 19 viticultores da cidade de San Marzano di San Giuseppe, engarrafa a uva de centenas de famílias da região.
Duas leituras disputam a origem da palavra Negroamaro. Uma junta o latim niger (negro) e amarus (amargo). Outra enxerga o grego mavros (preto) colado ao italiano nero, preto repetido duas vezes. Nenhum registro antigo da uva sobreviveu pra desempatar, e a questão segue aberta. O certo é o vinho: sai escuro e quase nada amargo quando a uva amadurece bem.
O chão do Salento é calcário, uma pedra branca e porosa que guarda a chuva do inverno e devolve a água às raízes no verão seco. Por cima, corre uma camada fina de terra vermelha, rica em ferro. A videira sofre o bastante pra dar cacho pequeno e concentrado, sem secar.
O verão passa dos 35 graus, e o vento do mar refresca as noites. A colheita corre da última semana de setembro à primeira de outubro, com a uva madura de verdade. Uva madura tem semente marrom e casca macia, e o tanino sai redondo, sem o aperto verde da fruta colhida cedo.
Muitas vinhas antigas ainda seguem no alberello (videira baixa, podada em forma de arbusto, sem arame). A planta fica perto do chão, que devolve o calor da pedra à noite, e o cacho amadurece por igual.
Pedra calcária, sol longo e colheita tardia: o Negroamaro chega ao copo escuro, macio e de acidez mansa. |
Na adega, o vinho fermenta em tanque de inox, e uma parte descansa alguns meses em madeira. A palavra Pumo, no rótulo, vem do botão de cerâmica que as casas da Puglia põem na sacada como amuleto de prosperidade.
No copo, aparece ameixa cozida, cereja em calda, alcaçuz, tabaco e um fundo de ervas secas. O gole é seco, de corpo médio, com 13,5% de álcool, acidez baixa e tanino macio, e termina em fruta escura.
O preço fica abaixo de R$ 50 por três motivos. A Puglia produz vinho em volume grande, a cooperativa engarrafa em escala e a terra do sul italiano custa uma fração da terra da Toscana e do Piemonte.
Na prateleira, procure Negroamaro e Salento IGP no rótulo. Salice Salentino DOC (Denominação de Origem Controlada, o selo mais rígido) também leva Negroamaro na maior parte, com um pouco de Malvasia Nera, e custa mais. Primitivo é outra uva da Puglia, mais doce e mais alcoólica.
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