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Argiolas S'elegas, Nuragus di Cagliari DOC, Sardenha, Itália, branco seco, safra 2024. R$ 49 a garrafa.
Nuragus é uma uva branca da Sardenha, a ilha italiana no meio do Mediterrâneo, a oeste de Roma. A sigla DOC do rótulo quer dizer Denominação de Origem Controlada, o selo italiano que fixa a região e as regras de cultivo. A Argiolas, vinícola de família fundada em 1938 por Antonio Argiolas em Serdiana, perto de Cagliari, engarrafa a uva de vinhedos próprios.
A palavra vem dos nuraghi (torres cônicas de pedra seca erguidas na ilha na Idade do Bronze, há mais de 3 mil anos). Milhares delas ainda pontuam os campos sardos. A ligação entre a uva e as torres fica no batismo: ninguém provou que os construtores dos nuraghi já cultivavam a videira.
Quem levou a uva para a ilha segue sem resposta. A hipótese mais repetida aponta os fenícios, navegadores do atual Líbano que fundaram Cagliari por volta do século 8 antes de Cristo, mas nenhum documento antigo cita a uva, e a origem continua aberta. O registro firme vem séculos depois, nos vinhedos do sul da ilha.
O Nuragus cresce na planície do Campidano e nas colinas da Trexenta, ao norte de Cagliari. O chão mistura argila, areia e cascalho de rio. A uva dá cacho grande, rende muito por planta e, durante séculos, abasteceu o vinho de mesa da ilha inteira.
O verão sardo passa dos 35 graus e quase não chove. O maestrale (vento frio do noroeste) e a brisa do mar baixam a temperatura à noite, e a uva guarda acidez mesmo madura. A colheita corre em setembro, cedo, pra preservar o frescor.
Vento do mar, colheita cedo e cacho farto: o Nuragus chega ao copo leve, cítrico e barato. |
Na adega, o mosto fermenta frio em tanque de inox, e o vinho vai à garrafa poucos meses depois, sem madeira. O rótulo pede consumo jovem: a safra chega às lojas no ano seguinte à colheita e rende melhor nos primeiros dois anos.
No copo, aparece limão-siciliano, maçã verde, pera, flor branca e um fundo de amêndoa. O gole é seco e leve, com 12% de álcool, acidez viva e um toque salino no final.
O preço fica abaixo de R$ 50 por três motivos. A uva rende muito por hectare, o vinho dispensa barril e tempo de adega, e a Sardenha ainda vende pouco fora da Itália, sem a fama que encarece outras regiões.
Na prateleira, procure Nuragus di Cagliari no rótulo. A Cantina Santadi, do sudoeste da ilha, engarrafa a mesma uva na mesma faixa de preço. Vermentino di Sardegna é outro branco sardo, mais aromático e um pouco mais caro.
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