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Prokupac de R$ 79 pro bife à rolê

De R$ 50 a R$ 100: o Prokupac da Župa, tinto sérvio de ameixa e pimenta, pro bife à rolê a 16 graus.

A travessa de bife à rolê no molho e a taça de Prokupac.

O Prokupac e o rolê na mesa

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O Rubin Prokupac 2021, tinto sérvio da Župa, saiu a R$ 79 numa importadora de Curitiba e a R$ 112 num empório dos Jardins, em São Paulo, preços vistos nos dois sites em 24/10/2026. Os R$ 33 de distância pagam aluguel de rua nobre, garrafas expostas sob luz forte e uma remessa de poucas caixas, com o frete rateado em cada rótulo.

O bife à rolê chegou à cozinha brasileira com imigrantes alemães, que enrolavam a Rouladen (fatia fina de carne recheada e enrolada) com mostarda, toucinho e pepino em conserva. Aqui, o pepino perdeu espaço para a cenoura, o ovo cozido e a linguiça, e o molho de tomate tomou conta da panela.

A fatia de coxão duro apanha do martelo até afinar, recebe bacon, tiras de cenoura e cebola, e vira um rolo preso por palito. Doura em óleo quente, ganha tomate, louro e água, e cozinha tampada por uma hora e meia, até o garfo entrar sem esforço.

No prato, o rolê junta três sabores fortes: a gordura defumada do bacon, o ácido do tomate reduzido e a carne de fibra longa, que pede mastigação. O molho escorre para o arroz e para o purê e deixa sal e tomate espalhados pela língua.

Duas garrafas atrapalham esse almoço. Um tinto pesado, de barrica nova, soma madeira ao defumado do bacon e cansa já no terceiro garfo. Um tinto ralo, de acidez baixa, perde para o tomate e chega ao copo sem gosto nenhum.

O rolê quer acidez para acompanhar o molho, fruta escura para a carne e um toque de especiaria para o bacon. Uma uva sérvia que já ocupou a maior parte dos vinhedos do país entrega as três e cabe entre R$ 50 e R$ 100.

De onde vem a casta, por que a ameixa e a pimenta dela conversam com o molho vermelho e como levar a garrafa aos 16 graus sem termômetro: a primeira faixa desce até a Župa, no centro da Sérvia.

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I  A Garrafa de Hoje

A uva do vale de Aleksandrovac

Rubin Prokupac, Župa, Sérvia, tinto seco, safra 2021, 100% Prokupac. R$ 79 a garrafa.

Prokupac é uma uva tinta nativa dos Bálcãs centrais, cultivada na Sérvia há séculos. A palavra deriva de Prokuplje, cidade do sul sérvio onde a casta sempre foi comum. O cacho sai grande e solto, a casca é fina e a cor do vinho fica num rubi médio, longe do roxo das uvas de casca grossa.

No século 19, a Prokupac cobria a maior parte dos vinhedos sérvios. A filoxera (inseto que ataca a raiz da videira e a mata aos poucos) chegou ao país na década de 1880 e arrasou as plantações. No replantio, os viticultores trocaram parte das parcelas por uvas francesas e por castas de produção maior.

O século 20 empurrou a uva ainda mais para trás. As grandes cooperativas estatais da antiga Iugoslávia pagavam por quilo e preferiam volume; a Prokupac virava tinto de garrafão, misturado a outras uvas e vendido sem nome de casta no rótulo.

A volta começou nas últimas duas décadas, com vinícolas pequenas e médias que passaram a engarrafar a uva sozinha. A Župa ficou no centro desse movimento. O vale cerca a cidade de Aleksandrovac, no centro do país, protegido pelas montanhas Kopaonik e Jastrebac.

O vale guarda a tradição do vinho de família. Todo setembro, Aleksandrovac faz a Župska berba (a festa da colheita da Župa), com desfile, prova nas ruas e uma fonte na praça que jorra tinto enquanto a festa dura.

A Rubin, de Kruševac, a cidade grande mais próxima, é uma das casas antigas da região, conhecida pelo conhaque de uva e pelos tintos de mesa. A linha varietal de Prokupac usa uvas compradas de produtores da Župa.

O clima explica a fruta madura. Os verões são quentes e secos, os vinhedos ficam em encostas de altitude moderada, e o outono longo deixa o cacho pendurado até outubro. A uva amadurece tarde e junta muito açúcar, o que dá ameixa madura no copo.

Calor de verão, outono comprido e casca fina: a Prokupac chega ao copo com ameixa madura, pimenta e cor clara.

Na adega, o vinho fermenta em tanque de inox e descansa alguns meses em tonel grande de carvalho usado, que arredonda o tanino sem acrescentar baunilha.

No copo, a cor é rubi médio, com borda tijolo leve. Aparecem ameixa vermelha, cereja escura, pimenta-do-reino e um toque de folha de tabaco. O gole é seco, com 13,5% de álcool, acidez viva, corpo médio e tanino fino, que some rápido.

O preço cabe na faixa por três motivos: a Sérvia ainda é pouco conhecida como origem de vinho, a uva não tem fama fora dos Bálcãs e o custo da terra e da mão de obra no vale fica muito abaixo do europeu ocidental.

Na prateleira, procure Prokupac e Župa no rótulo. Garrafa sérvia sem a casta escrita costuma trazer mistura com Merlot ou Cabernet, de fruta mais pesada.

 
 

II  Com o Que Combina

Molho vermelho, fruta escura

O rolê pede ao vinho acidez para o tomate, fruta madura para a carne e especiaria para o bacon defumado.

A acidez anda junto com o molho. Tomate reduzido é ácido, e um vinho mole ao lado dele parece doce e sem graça. A Prokupac tem acidez suficiente para empatar com o molho e manter o gole fresco do primeiro ao último garfo.

A ameixa conversa com a carne. O coxão duro cozido muito tempo solta sabor de caldo escuro, e a fruta madura do vinho se encaixa nele, do mesmo jeito que a ameixa-preta entra no recheio de muito assado de festa.

A pimenta do vinho encontra o bacon. O defumado da gordura e a pimenta-do-reino do gole se reforçam, e a cebola dourada do molho completa o trio.

O tanino fino deixa a mastigação em paz. A fibra longa do coxão já cansa a boca; um tinto de tanino duro somaria aspereza a cada pedaço. Com o tanino leve da Prokupac, a carne parece mais macia.

Na Sérvia, a casta acompanha a sarma (charutinho de repolho em conserva recheado de carne moída e arroz), cozida em molho de tomate e páprica no inverno. O prato tem a mesma lógica do rolê: carne enrolada, molho vermelho e panela tampada por horas.

O rolê para quatro pessoas leva oito bifes de coxão duro batidos, 150 gramas de bacon em tiras, uma linguiça calabresa, duas cenouras, duas cebolas, quatro tomates maduros, extrato de tomate, alho e louro. Recheie, enrole, prenda com palito e doure em panela grossa. Junte cebola, alho, tomate e água até cobrir a metade dos rolos e cozinhe tampado por uma hora e meia, virando de vez em quando.

Purê de batata e arroz branco acompanham bem. Evite molho apimentado forte: a ardência acende o álcool e apaga a fruta do copo.

Na mesma faixa, um Plavac Mali jovem da Croácia, vizinha da Sérvia, saiu a R$ 84 num supermercado de Porto Alegre e a R$ 98 num empório de Recife, valores vistos em 24/10/2026. Tem fruta escura parecida, mais álcool e tanino um pouco mais firme, e resolve quando a Prokupac some da gôndola.

A mesma garrafa serve almôndega ao sugo, carne moída com quiabo e frango ensopado com tomate: molho vermelho, carne cozida e tempero caseiro.

 
 

III  Sem Cerimônia

Dezesseis graus na travessa

O Prokupac vai à mesa a 16 graus. Em outubro, a garrafa guardada no armário da cozinha, perto do fogão aceso há duas horas, passa dos 24 graus; quente assim, o álcool sobe ao nariz, a ameixa vira compota e a acidez perde força contra o tomate.

1. Na geladeira: cinquenta minutos na prateleira do meio levam a garrafa de 24 a cerca de 16 graus. Guarde quando tampar a panela dos rolos.

2. Na pressa: enrole a garrafa num pano de prato úmido e deixe 12 minutos no congelador, com alarme no celular.

3. Na abertura: o Rubin vem com rolha. Abra vinte minutos antes de servir e deixe a garrafa em pé, longe do vapor da panela.

4. No copo: taça de tinto de bojo médio, servida até um terço, para o aroma de pimenta subir.

5. Na mesa: apoie a garrafa num prato frio, fora do sol e longe da travessa quente.

A 16 graus, a ameixa e a pimenta aparecem juntas e a acidez segura o molho. A 12, o frio aperta o tanino e esconde a fruta; a 20, o vinho fica doce no nariz e mole ao lado do tomate.

A Prokupac aceita um pouco mais de frescor que um tinto encorpado. Casca fina e tanino leve pedem a temperatura de uma adega de pedra, igual à dos porões das casas da Župa, onde o vinho da família passa o ano.

O almoço demora e a garrafa esquenta. Numa sala de outubro, o tinto ganha cerca de um grau a cada quinze minutos fora da geladeira. Sirva meia taça por rodada e devolva a garrafa à porta da geladeira entre um prato e outro.

Com quatro pessoas, uma garrafa de 750 mililitros rende duas taças moderadas para cada um e cobre o almoço inteiro. Para quem repete o rolê, vale deixar uma segunda garrafa gelando desde o começo.

Aberto, o Prokupac aguenta dois dias na geladeira com a rolha de volta. Tire vinte minutos antes de servir; no terceiro dia, a ameixa perde brilho e a pimenta some.

Nas casas da Župa, o tinto da família sai do porão direto para a jarra, fresco, e vai à mesa junto da panela de sarma. O hábito explica a temperatura e combina com almoço comprido de domingo.

“No próximo almoço de domingo, o rolê no molho de tomate divide a mesa com um Prokupac de R$ 79 a 16 graus?”

O bife à rolê para 4 pessoas sai por R$ 156, com o Prokupac a R$ 79, o coxão duro a R$ 44, o bacon e a linguiça a R$ 18 e a cenoura, os tomates e os temperos a R$ 15, preços de 24/10/2026.

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, quantos minutos a garrafa leva na prateleira do meio da geladeira para cair de 24 para cerca de 16 graus?

A20 minutos
B50 minutos
C12 minutos
D90 minutos

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Dia 2 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

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