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Rubin Prokupac, Župa, Sérvia, tinto seco, safra 2021, 100% Prokupac. R$ 79 a garrafa.
Prokupac é uma uva tinta nativa dos Bálcãs centrais, cultivada na Sérvia há séculos. A palavra deriva de Prokuplje, cidade do sul sérvio onde a casta sempre foi comum. O cacho sai grande e solto, a casca é fina e a cor do vinho fica num rubi médio, longe do roxo das uvas de casca grossa.
No século 19, a Prokupac cobria a maior parte dos vinhedos sérvios. A filoxera (inseto que ataca a raiz da videira e a mata aos poucos) chegou ao país na década de 1880 e arrasou as plantações. No replantio, os viticultores trocaram parte das parcelas por uvas francesas e por castas de produção maior.
O século 20 empurrou a uva ainda mais para trás. As grandes cooperativas estatais da antiga Iugoslávia pagavam por quilo e preferiam volume; a Prokupac virava tinto de garrafão, misturado a outras uvas e vendido sem nome de casta no rótulo.
A volta começou nas últimas duas décadas, com vinícolas pequenas e médias que passaram a engarrafar a uva sozinha. A Župa ficou no centro desse movimento. O vale cerca a cidade de Aleksandrovac, no centro do país, protegido pelas montanhas Kopaonik e Jastrebac.
O vale guarda a tradição do vinho de família. Todo setembro, Aleksandrovac faz a Župska berba (a festa da colheita da Župa), com desfile, prova nas ruas e uma fonte na praça que jorra tinto enquanto a festa dura.
A Rubin, de Kruševac, a cidade grande mais próxima, é uma das casas antigas da região, conhecida pelo conhaque de uva e pelos tintos de mesa. A linha varietal de Prokupac usa uvas compradas de produtores da Župa.
O clima explica a fruta madura. Os verões são quentes e secos, os vinhedos ficam em encostas de altitude moderada, e o outono longo deixa o cacho pendurado até outubro. A uva amadurece tarde e junta muito açúcar, o que dá ameixa madura no copo.
Calor de verão, outono comprido e casca fina: a Prokupac chega ao copo com ameixa madura, pimenta e cor clara. |
Na adega, o vinho fermenta em tanque de inox e descansa alguns meses em tonel grande de carvalho usado, que arredonda o tanino sem acrescentar baunilha.
No copo, a cor é rubi médio, com borda tijolo leve. Aparecem ameixa vermelha, cereja escura, pimenta-do-reino e um toque de folha de tabaco. O gole é seco, com 13,5% de álcool, acidez viva, corpo médio e tanino fino, que some rápido.
O preço cabe na faixa por três motivos: a Sérvia ainda é pouco conhecida como origem de vinho, a uva não tem fama fora dos Bálcãs e o custo da terra e da mão de obra no vale fica muito abaixo do europeu ocidental.
Na prateleira, procure Prokupac e Župa no rótulo. Garrafa sérvia sem a casta escrita costuma trazer mistura com Merlot ou Cabernet, de fruta mais pesada.
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