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Domaines Vinsmoselle Elbling, Mosela, Luxemburgo, branco seco, safra 2023, 100% Elbling. R$ 68 a garrafa.
Elbling é uma uva branca das mais antigas da Europa, cultivada no vale da Mosela há cerca de dois mil anos. O nome vem do latim albus (branco), pela mesma raiz de Alben, forma usada no alemão antigo da região. O cacho sai compacto, a casca é fina e amarelo-esverdeada, e o vinho fica claro, quase transparente na taça.
Os romanos chegaram à Mosela no século 1 antes de Cristo e plantaram videiras nas encostas do rio para abastecer as tropas e a cidade de Augusta Treverorum, a atual Trier, na Alemanha. A tradição local liga o Elbling a essas primeiras parcelas. Os textos romanos preservados não trazem a uva pelo nome, e o parentesco direto segue sem prova; os primeiros registros seguros da casta são medievais.
Na Idade Média, o Elbling cobria a maior parte dos vinhedos da Mosela e do Reno. Rendia muito, aguentava inverno frio e virava o vinho de todo dia de mosteiros e aldeias. A partir do século 19, o Riesling, de aroma mais rico, tomou as melhores encostas alemãs, e o Elbling desceu para os terrenos de baixo.
Em Luxemburgo, a uva resistiu. A Mosela luxemburguesa ocupa uma faixa estreita de cerca de 42 quilômetros na margem esquerda do rio, de Schengen, no sul, a Wasserbillig, no norte, com aldeias como Remich, Wormeldange e Grevenmacher.
O solo muda ao longo da faixa. No sul, perto de Remich, dominam as margas (terra de argila misturada com calcário); no norte, de Wormeldange para cima, aparece o calcário conchífero (rocha formada por conchas de um mar antigo), que dá vinho mais tenso e mineral.
A Domaines Vinsmoselle é o maior grupo de viticultores do país e reúne cooperativas de várias aldeias da margem luxemburguesa. O Elbling da casa sai de parcelas espalhadas ao longo do rio, colhidas por famílias que vendem a uva para a adega comum.
O clima explica a magreza. O vale fica perto do limite norte do vinho na Europa, o verão é curto e o sol aquece pouco o cacho. A uva chega à colheita, em setembro, com pouco açúcar e muita acidez, o que dá álcool baixo e gole cortante.
Verão curto, solo de calcário e casca fina: o Elbling chega ao copo magro, ácido e com cheiro de limão. |
Na adega, o mosto (o suco da uva antes de virar vinho) fermenta frio em tanque de inox, e o vinho vai para a garrafa poucos meses depois da colheita, sem madeira, para guardar a fruta fresca.
No copo, a cor é palha bem clara, com reflexo verde. Aparecem limão-siciliano, maçã verde, pera ainda firme e uma ponta de pedra molhada. O gole é seco, com 10,5% de álcool, acidez alta, corpo leve e, em algumas garrafas, um formigamento discreto de gás carbônico na língua.
O preço cabe na faixa por três motivos: Luxemburgo quase não aparece nas cartas brasileiras, o Elbling não tem a fama do Riesling e a uva rende bem no vinhedo, o que barateia cada garrafa.
Na prateleira, procure Elbling e Moselle Luxembourgeoise no rótulo. Garrafa alemã marcada como Obermosel (Alta Mosela, o trecho alemão vizinho) também costuma trazer a uva, num estilo parecido.
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