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Tio Pepe Fino, González Byass, Jerez de la Frontera, Espanha, branco seco fortificado, 100% Palomino, 15% de álcool. R$ 89 a garrafa.
O Fino é o estilo mais seco e mais claro do Jerez, o vinho da região andaluza que os ingleses chamam de sherry. Ele nasce da Palomino, uva branca de casca fina e sabor neutro, plantada no solo branco de calcário da região, a albariza (terra clara que guarda a água das chuvas de inverno).
O segredo está na barrica. Depois da fermentação, o vinho recebe aguardente de uva até chegar a cerca de 15% de álcool e vai para tonéis de carvalho cheios só até cinco sextos. Na superfície, nasce a flor (uma camada de leveduras vivas, branca e espessa, parecida com uma nata de pão).
A flor funciona como tampa viva. Ela impede o ar de tocar o vinho, e assim o Fino continua claro, cor de palha, mesmo depois de anos na madeira. Com 15% de álcool, a levedura sobrevive; acima de 17%, ela morre, e por esse motivo o produtor para nessa graduação.
A levedura também come. Ela consome o resto de açúcar e a glicerina do vinho, e devolve um composto chamado acetaldeído (substância que dá cheiro de amêndoa e de massa de pão). O gole fica seco, magro, com sal na ponta da língua e final curto.
O envelhecimento segue o sistema de solera (fileiras de barricas em que o vinho jovem completa o mais velho aos poucos). Cada vez que se tira vinho da fileira de baixo para engarrafar, ela recebe o da fileira de cima, e assim por diante. O Fino da garrafa mistura várias safras e sai sem ano no rótulo.
A flor tampa o vinho, come o açúcar e devolve sal e amêndoa: o Fino chega ao copo claro, seco e salgado. |
A González Byass foi fundada em 1835 por Manuel María González Ángel, em Jerez. O nome Tio Pepe homenageia o tio dele, José Ángel, que ajudou o sobrinho no começo do negócio e gostava de um vinho seco e claro, servido aos amigos na adega da família.
No copo, a cor é palha bem clara. O nariz traz amêndoa crua, massa de pão, maçã verde e uma lembrança de maresia. Na boca, o vinho é seco, leve no corpo, com acidez viva e um amargo suave de casca de amêndoa no fim.
O preço cabe na faixa porque o Jerez saiu de moda fora da Espanha e a solera da casa produz em grande volume. A mesma garrafa, que exige anos de barrica, custa como um branco jovem comum.
Na prateleira, procure Fino e Jerez no rótulo. A Manzanilla, feita da mesma uva na cidade vizinha de Sanlúcar de Barrameda, é ainda mais salgada e serve no lugar.
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