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Lagrein 2023, Cantina Bolzano, Bolzano, Alto Adige, Itália, tinto seco, 100% Lagrein, 13,5% de álcool. R$ 149 a garrafa.
O Alto Adige é a província mais ao norte da Itália, encostada na Áustria. Os moradores chamam a região de Südtirol (Tirol do Sul, em alemão), e as placas de rua saem nas duas línguas, porque o território pertenceu ao Império Austro-Húngaro até 1919, quando passou para a Itália no fim da Primeira Guerra.
O Lagrein é uva nativa dali, plantada quase só nesse vale. Análises de DNA publicadas pelo geneticista suíço José Vouillamoz em 2006 apontaram o Teroldego, tinta do Trentino vizinho, como um dos pais da Lagrein, e a família dela tem parentesco distante com a Syrah do Ródano, na França.
O melhor Lagrein nasce em Gries, bairro plano de Bolzano. A cidade fica numa bacia cercada de montanhas, que prende o calor do verão, e o rio Talvera deixou ali um chão de cascalho e areia que esquenta de dia e devolve o calor à noite.
A uva tem casca grossa e cheia de antocianina (o pigmento roxo que dá cor ao vinho). Com o sol forte da bacia, essa casca amadurece por inteiro, e o vinho sai tão escuro que a luz da cozinha mal atravessa a taça.
O tanino (a substância da casca que seca a boca) vem em grande quantidade, mas maduro. A Cantina Bolzano deixa o vinho alguns meses em tonéis grandes de carvalho, de madeira velha, que arredondam o tanino sem pôr gosto de baunilha.
Casca grossa, sol de bacia e tonel velho: o Lagrein chega quase preto e macio, sem amarrar a boca. |
A Cantina Bolzano é uma cooperativa (vinícola em que os pequenos produtores dividem a adega e a marca). Nasceu em 2001 da fusão de duas cantinas antigas da cidade, a de Gries, de 1908, e a de Santa Maddalena, de 1930, e hoje recebe a uva de famílias que cultivam lotes pequenos nas encostas.
No copo, a cor é roxa quase preta, com borda violeta. O nariz traz amora, cereja preta, violeta e um fundo de terra molhada. Na boca, o vinho é médio no corpo, com tanino redondo, acidez fresca de montanha e um amargo de chocolate meio amargo no fim.
O preço passa dos R$ 100 porque o Lagrein ocupa uma fatia pequena dos vinhedos do Alto Adige, poucas importadoras trazem a uva ao Brasil e a garrafa paga frete refrigerado desde os Alpes.
Na prateleira, procure Lagrein e Südtirol, ou Alto Adige DOC, no rótulo. A palavra Dunkel (escuro, em alemão) marca o tinto; a palavra Kretzer marca a versão rosé, que não serve para este prato.
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