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Pošip 2023, Grgić Vina, Korčula, Dalmácia, Croácia, branco encorpado, 100% Pošip, 13,5% de álcool. R$ 179 a garrafa de 750 mililitros.
Korčula é uma ilha comprida e verde no sul da costa croata, separada da península de Pelješac por um canal estreito. O interior tem vales de terra vermelha e calcário entre morros de pinheiro, e o verão é quente, seco e ventoso.
A ilha disputa com Veneza o berço de Marco Polo, o mercador do século 13 que viajou até a China. Nenhum documento da época diz onde ele nasceu; a tese de Korčula se apoia na tradição local e no sobrenome Depolo, comum na ilha até hoje.
O Pošip é uma uva branca nativa de Korčula. A história local conta que um agricultor da vila de Smokvica, Marko Cebalo, achou a videira brotando sozinha num bosque no fim do século 19 e passou a plantá-la na vinha da família.
A origem genética veio depois. O livro Wine Grapes, de 2012, de Jancis Robinson, Julia Harding e José Vouillamoz, registra o Pošip como cruzamento natural de duas uvas da própria ilha, a Bratkovina Bijela e a Zlatarica Blatska (bijela quer dizer branca, em croata), sem mão humana no meio.
Em 1967, o Pošip das vilas de Čara e Smokvica virou o primeiro vinho branco croata com origem geográfica protegida por lei, o selo que garante que a uva nasceu ali e seguiu as regras locais de cultivo.
Uva de ilha, vento de mar: o Pošip junta corpo de branco maduro e um final de sal. |
Na vinha, o Pošip amadurece cedo, no fim de agosto, com muito açúcar e acidez firme. O vinho passa fácil dos 13% de álcool e ganha corpo. O jugo (vento quente do sul, em croata) leva maresia sobre as vinhas na época da colheita.
A Grgić Vina foi fundada por Miljenko Grgić (1923-2023), o enólogo croata que fez o Chardonnay do Chateau Montelena, primeiro lugar entre os brancos no Julgamento de Paris de 1976, a degustação às cegas em que vinhos da Califórnia venceram os franceses. Ele voltou à terra natal em 1996 e abriu a vinícola em Trstenik, na península vizinha, com uva de Korčula para o branco.
No copo, a cor é amarelo-palha com reflexo dourado. O nariz traz pêssego maduro, damasco seco, amêndoa e erva de mato seco. Na boca, o vinho é cheio, com acidez média e final longo, salgado, de pedra molhada.
O preço passa dos R$ 100 pela distância e pelo tamanho: a Croácia exporta pouco vinho, Korčula tem vinhas pequenas em terraços, colhidas à mão, e pouca garrafa chega ao Brasil.
Na prateleira, procure Pošip no rótulo, às vezes com o nome da vila, Čara ou Smokvica. O acento sobre o s soa como x: diz-se póxip.
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