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Black Sea Gold Dimiat 2024, Pomorie, Burgas, Bulgária, branco seco, 100% Dimiat, 12% de álcool. R$ 44 a garrafa.
Pomorie fica numa península estreita da baía de Burgas, no sudeste da Bulgária, entre o Mar Negro e uma lagoa salgada. Os gregos fundaram ali a colônia de Anquíalo (perto do mar, em grego), e o nome búlgaro de hoje diz quase o mesmo: à beira-mar.
As salinas da lagoa ainda secam a água do mar ao sol todo verão. As vinhas ficam nas planícies baixas em volta, em solo de areia e calcário.
A brisa segura a uva. O vento do mar refresca as noites de setembro, e a fruta amadurece devagar, sem perder o ácido que a deixa viva na taça. A colheita entra na última semana de setembro.
A Dimiat é nativa da Bulgária e uma das brancas mais plantadas do país. Tem cacho grande, bago graúdo de casca verde-dourada e rende muito por pé. O Oxford Companion to Wine, a enciclopédia de Jancis Robinson, registra que dela e do Riesling a Bulgária cruzou o Misket Varnenski (moscatel de Varna, em búlgaro), branca criada para a província vizinha.
A colheita farta explica o duplo destino. Muito suco por pé interessou primeiro ao alambique: a Dimiat é base clássica da grozdova, a rakia de uva búlgara, destilada até passar de 40% de álcool. Colhida mais cedo, com o ácido ainda alto, e fermentada fria em tanque de inox, a uva dá o branco leve da mesa.
O nome guarda uma lenda. A tradição búlgara liga Dimiat a Damieta, porto do delta do Nilo, de onde a muda teria chegado. Nenhum documento prova a viagem; os registros tratam a uva como búlgara, e a origem do nome segue sem resposta.
Bago graúdo, brisa de mar e acidez reta: a Dimiat chega leve à taça e firme até o último gole. |
A Black Sea Gold nasceu de uma cooperativa de 1924 batizada Dimiat, como a uva. O prédio original, de 1932, virou hotel com sala de prova e museu, e a vinícola de hoje engarrafa em volume o branco de todo dia da costa.
Na taça, a cor é palha clara, com reflexo verde. O nariz traz flor branca, pêssego, casca de limão e um toque de erva seca. Na boca, o vinho é leve, de acidez reta, final curto e um fundo salino.
O preço fica abaixo de R$ 50 pela uva, que rende muito, e pela cooperativa, que engarrafa grande. A fama curta fora da Bulgária completa: o importador não paga grife.
A safra pesa pouco nesse estilo. A Dimiat é feita para beber jovem, até dois anos depois da colheita; garrafa antiga na gôndola escurece para o dourado e troca a flor por cheiro de maçã passada.
Na prateleira, procure Dimiat no rótulo, ou Димят em cirílico, e a palavra сухо (suho, seco). Diz-se di-miát, com o acento na última sílaba.
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